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Angola e Namíbia reforçam cooperação

Governo 15-01-2026
DECLARAÇÕES DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA

INAUGURAÇÃO DA FÁBRICA DE ALUMÍNIO NO BENGO | 15. JANEIRO. 2026

REDE GIRASSOL - Gostávamos de perceber com que impressão é que o Senhor Presidente sai daqui, ao ver esta imponente infra-estrutura que poderá dar resposta ao sector metalúrgico? Qual é a estratégia do Executivo quanto ao processo de exportação, uma vez que esta infra-estrutura vai representar Angola a nível da região, como potente na produção de materiais metalúrgicos?

PR - Muito obrigado! Angola tem assistido a um conjunto de construção de infra-estruturas de investimento público, ao abrigo da linha de financiamento da China. O país não pode crescer apenas com investimento público. Precisamos, necessariamente, do investimento privado, em praticamente todos os domínios da nossa economia. Não apenas para garantirmos maior emprego para os nossos jovens, mas, sobretudo, para aumentarmos o leque de produtos e serviços que vão em benefício da economia e das populações e cujos excedentes serão para exportar.

Com este investimento privado é evidente que nós temos de sair daqui com um sorriso nos lábios, uma vez que começamos a concretizar aquilo que nós pretendemos, que é o de atrair cada vez mais o investimento privado, quer nacional, quer estrangeiro.

Começamos também a construir o caminho para diversificar e aumentar os produtos de exportação. Não estamos satisfeitos com o facto de Angola exportar quase que exclusivamente o crude, ainda por cima na sua forma bruta. Não estamos a exportar refinados do petróleo, mas sim o petróleo bruto, coisa que também vai mudar muito em breve, na sequência da visita que eu efectuei há dias, no Lobito. Quando tivermos a Refinaria de Lobito, este quadro talvez mude.

Mas precisamos de transformar grande parte das matérias-primas que são extraídas do nosso país, ou mesmo importadas.
Transformá-las aqui, acrescentar-lhes valor, dando emprego e aumentando a nossa exportação.

A nossa estratégia de exportação é essa. É incentivar os investidores privados a produzirem cada vez mais produtos exportáveis, produtos que sejam não apenas de consumo interno, mas que tenham aceitação no mercado internacional, para podermos diversificar as nossas fontes de arrecadação de receitas, no geral, mas muito em particular de arrecadação de divisas.
TV ZIMBO - Será que já é possível, a partir desta unidade, podermos expectar a redução de preços ou ainda é insuficiente?
PR - Ainda nem começamos a produzir e já está a pensar nos preços?

Bom, a economia diz que quando a oferta é grande, a tendência é os preços baixarem. Portanto, se quer que eu fale no geral, a tendência será essa. Mas, especificamente, vamos ver o que vai acontecer.

TV ZIMBO - O Senhor Presidente, há instantes, falou exactamente da necessidade de mais investimento privado: pergunto-lhe se, além de benefícios fiscais, como é que o Executivo vai atrair outros investimentos, além de garantir que existam benefícios na ordem da fiscalidade?

PR - Quem é investidor privado sabe que tem de pagar impostos. E não se pode condicionar o investimento privado a benefícios fiscais. As excepções à regra são feitas pontualmente, se o Executivo entender que há necessidade de fazer para, digamos, atrair o investimento que, em princípio, não é tão atractivo, mas que, de qualquer forma, o Executivo entende que é importante para a nossa economia. Então, pode dar, nesses casos excepcionais, os tais chamados incentivos fiscais.

De resto, quem é investidor privado sabe que a regra é pagar impostos. Aqueles impostos que estão aprovados, que estão em vigor, e que são para todos. Não são para uns e não são para outros. São para todos de cada sector da nossa economia.

Outro tipo de incentivo, particularmente para as indústrias, é o baixo preço da nossa energia. A energia em Angola é muito barata. Isso deve ser visto pelos industriais como uma forma de incentivo para que eles venham investir mais, tendo noção de que vão pagar a energia. O consumo de energia está muito abaixo daquilo que é cobrado a nível internacional.

Nós temos dito que temos, neste momento, um excedente de produção de energia. Precisamos, por um lado, exportar, mas, em primeiro lugar, precisamos aumentar o nosso consumo de energia. E a melhor forma de aumentar não é com o consumo doméstico, mas sim com o consumo industrial.

Esta indústria de alumínio, em particular - conforme acabámos de ouvir do engenheiro que fez a apresentação -, é uma indústria de alto consumo de energia. Para Angola não é problema. Nós temos energia. Precisamos é de assegurar que não haja interrupções no fornecimento dessa mesma energia, sobretudo que não haja interrupções por via da vandalização das redes de transportação de energia.

Todos os poderes em Angola (o Poder Executivo, o Poder Legislativo, o Poder Judicial) estamos obrigados a trabalhar, de forma convergente, para o mesmo objectivo de não dar tréguas à vandalização dos bens públicos, no geral, mas, muito em particular, à vandalização das linhas, das torres, dos cabos de transportação de energia de alta, média e baixa tensão.

Mas não são só os três poderes que são chamados a isso. De uma forma geral, toda a sociedade é chamada a contribuir, pelo menos na denúncia dos infractores. Eu diria mesmo dos criminosos, porque não se trata de uma infracção, mas de um crime, a vandalização de bens públicos, para que as autoridades competentes, então, possam fazer o trabalho que lhes compete: o de julgar e condenar todos aqueles que ainda não entenderam que os bens públicos são de todos nós, inclusive do próprio que está a vandalizar.

Cada vez que ele vandalize uma torre, a sua própria família, no bairro, pode ficar sem energia. Mas eles não têm consciência disso. Os estudantes que se precisam preparar para a prova no dia seguinte, para a aula no dia seguinte, ficam sem energia. Nos hospitais, o doente que está no bloco operatório a ser operado, a meio da operação, fica-se sem energia. Como é que fica? O doente morre! Quem é que matou esse doente? É o vândalo, o indivíduo que vandalizou as torres é que é o assassino, o criminoso que matou o doente em plena operação. O cirurgião não pode concluir a operação, porque ficou sem energia.

Portanto, é um assunto muito sério que temos de encarar com toda a seriedade!

Imaginem uma indústria como esta em plena operação, de repente, ficar sem energia. É um prejuízo muito grande, não apenas para os promotores, mas para o país, que poderia ter maior oferta de alumínio no mercado.

O alumínio é um bem essencial para a industrialização de qualquer país. O aço, o alumínio, o cimento, são bens essenciais. O cimento já vimos produzindo, o alumínio começaremos a produzir agora, a partir de agora. Está a faltar o aço, mas virá. Acredito que os investidores vão se interessar também pela produção de aço. Quando tivermos aço, alumínio, cimento - dois deles já os temos - acredito que a nossa indústria vai dar grandes saltos.

RÁDIO ECCLÉSIA - Gostava de saber, Senhor Presidente, face à dimensão desta Zona que ainda pode ser aproveitada da melhor forma, há outros projectos em carteira que poderão ser implementados nesta zona? Se sim, quais e para quando a implementação destes?

PR - Bom, isto é uma Zona Franca. Foi devidamente publicitada. Agora, quais?, eu não estou em condições de dizer, uma vez que serão aqueles que vierem a ser licenciados em função das solicitações dos investidores. Nós não vamos fazer aqui investimento público. O investimento público que vamos fazer aqui é a infra-estruturação dos terrenos, energia e água. De resto, é investimento privado. Quem vai investir aqui, por enquanto a gente não sabe. São bem-vindos todos aqueles que queiram fazer investimento privado de relevo aqui, nesta Zona Franca da Barra do Dande.

RNA- O Senhor Presidente falou há pouco de projectos, eu ainda vou insistir…tenho na verdade duas questões.

Um outro projecto, a par deste, está a ser implementado aqui no município da Barra do Dande, falo concretamente da Dubai Invest. Pergunto: como está a execução e que mais-valia vai trazer para o país, visto que mais indústrias vão ser instaladas?

PR - Há questões de detalhe em tudo isto…
Eu venho para inaugurar a fábrica de alumínios, estou focado na fábrica de alumínios. Outros investimentos que existem aqui na área, se me perguntarem em que fase estão de execução física, 10%, 30%, talvez o ministro esteja em condições de responder e não eu, como é óbvio.

RNA - Agora fico com a energia eléctrica. A província do Bengo continua nas prioridades dos investidores. Ainda assim, um factor importante que é a energia eléctrica. Não sei se, por acaso, o Senhor Presidente da República pode também dar aqui uma achega. A vida faz-se nos municípios e a electrificação da região do Triângulo dos Dembos é um factor também fundamental para o surgimento de mais indústrias.

PR – Sim. A electrificação do Triângulo dos Dembos está nas nossas prioridades. Portanto, a qualquer altura, este projecto, que é antigo e muito reclamado pelas Autoridades da província do Bengo, vai acontecer.l

Fonte: CIPRA

namibia.mirex.gov.ao Embaixador(a)

Pedro Mutindi



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