O alcance da soberania digital e tecnológica na região da África Austral passa por uma maior aposta na conectividade entre os Estados-membros, defendeu, quinta-feira, em Luanda, o ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social durante a abertura da 46.ª Conferência Anual da Associação de Telecomunicações da África Austral (SATA).
Mário Oliveira disse que a conferência, cujo encerramento acontece hoje, está a servir para promover uma reflexão estratégica sobre os desafios e as oportunidades do sector das telecomunicações, com foco na inovação tecnológica, na conectividade regional e na transformação digital.
“As telecomunicações desempenham, actualmente, um papel central no desenvolvimento das sociedades, das economias e das famílias, sendo igualmente fundamentais para o avanço da transformação digital nos países africanos”, afirmou.
Para atingir o objectivo comum entre os países da África Austral, o ministro apontou como principal desafio a necessidade de se investir mais na formação especializada dos jovens. O capital humano, disse, é essencial para se alcançar a inovação tecnológica e a transformação digital.
Na ocasião, Mário Oliveira destacou o Programa Espacial Nacional, que inclui o satélite Angosat-2 e o projecto ANGEO-1, actualmente em construção, destinado à observação da Terra e ao apoio da região africana, como passos significativos no contexto da transformação digital do país.
Os investimentos, continuou, abrangem, ainda, a expansão da Rede Nacional de Banda Larga, com a instalação de mais de dois mil quilómetros de fibra óptica, e a recente inauguração do Data Center e Cloud do Governo angolano, destinado à modernização da Administração Pública, digitalização dos serviços governamentais e fortalecimento da economia digital.
Conexões
Para o ministro Mário Oliveira, uma região conectada torna os Estados-membros mais fortes e capazes de transmitir a experiência a outras regiões do continente.
Por sua vez, o presidente da SATA, Selby Khuzwayo, disse que o principal objectivo da organização é alinhar os Estados-membros, permitindo a partilha de experiências, soluções e meca- nismos de regulação no sector das telecomunicações. “Quando trabalhamos juntos, conseguimos fortalecer toda a região”, afirmou.
A liderança da SATA é actualmente exercida pela África do Sul e deve ser transferida para Angola durante a 46.ª conferência, que termina hoje, no auditório da Angola Telecom, em Luanda, reforçando o papel do país na coordenação regional do sector.
A decorrer sob o lema “O futuro da indústria é a inovação: as ideias transformam a indústria e o mundo”, o evento reúne representantes do sector das telecomunicações e especialistas da região para discutir os desafios da transformação digital, inovação tecnológica e formação de quadros especializados.